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Festo do Divino Esprito Santo
Nos dias de Pentecostes 50 dias depois da Pscoa - Garopaba comemora o Divino Esprito Santo, unindo celebraes religiosas, profanas e folclricas, trazidas pelos aorianos em meados do sculo XVIII.
A Festa do Divino traz em seu esplendor a esperana numa nova era. Um tempo de igualdade, partilha, caridade e unio sob a beno do Divino Esprito Santo. Novenas, procisses da Corte, almoos e folguedos compem o teatro da Coroao do Imperador, uma criana da comunidade.
Bandeira do Divino
Percorre as ruas de Garopaba, passando por todas as casas tirando versos e colhendo ofertas para a festa. Os folies, trs ou quatro tocando tambor, rabeca, violo, cavaquinho e cantando. No terreiro, flores picadas e espalhadas e na sala a mesa enfeitada.
Ao chegar na frente da casa iniciavam a cantoria. Promessas so agradecidas com versos cantados pelos folies.
A bandeira carregada por quem paga promessa ou convidado para tal. Uma ou duas mulheres carregam a salva, onde so depositadas as ofertas. No final da tarde encerram-se as bandeiras, cobre-se a pomba com um leno vermelho, tomam caf e descansam. noite rezam novenas, com arrematao das prendas e promessas recebidas durante o dia. Aves, ovos, biscoitos, pes e at pequenos animais domsticos. Segue algumas estrofes cantadas:

Ao chegar em sua porta
Nesta hora de aflio
O Divino trs consigo
Paz para o seu corao

Recebei esta visita
Do Divino Esprito Santo
Nesta hora ele chegou
Para enxugar o seu pranto

Depois da Oferta

Este gesto to bonito
Que vejo nesta criana
dando com alegria
Pra receber com bonana

A oferta que vos destes
L no cu j est contada
J est se despedindo
Esta imagem adorada

Recebida a sua oferta
Dada de bom corao
O Divino vai embora
Mas deixa consolao
Po por Deus
Nos meses de setembro e outubro comum ao encontrar um amigo, parente, namorado, mais depressa anuncia: po pr deus - Quase sempre o po-por-deus era dado: uma jia, um brinquedo, um perfume, um presente.
O bilhete em forma de corao, feito de papel, muito caprichado e colorido era fechado e mandado pessoa querida. Dentro simblicos versos:

Aqui vai meu corao
Com muito amor e carinho
Vai l pedir po por deus
Ao meu querido padrinho

Voa, voa corao
Deste que saudades tem
Vai l pedir po por deus
Aqum tanto quero bem
Terno de Reis
O terno de reis em Garopaba acontece nos meses de dezembro a janeiro, nos dias de natal, ano novo e reis. Formado por trs cantores em trs vozes por isso o nome, acompanhados de gaita, rabeca, violo e cavaquinho. Durante a noite, de casa em casa acordando os amigos e vizinhos com versos rimados. Logo que o dono da casa abre a porta todos entram cantando, depois fazem pausa. Ganham ofertas, bebidas, doces, cantam em agradecimento:

Meu senhor dono da casa
Abre a porta, ascende luz
Nos viemos anunciar
O nascimento de Jesus

Andamos cantando reis
Porque a noite to bela
Olha que nos merecemos
Doces de cravo e canela

Queremos agradecer
A nobre delicadeza
Pela graciosa oferta
E pela preciosa mesa
Boi de Mamo
Nos meses de novembro a fevereiro freqente a brincadeira de boi de mamo, uma trupe composta pelo urso, o cavalinho, o cervo, a bernuna, o urubu, entre outro personagens. Todos feitos com armao de paus e bambu, cobertos de pano e ainda dois enormes bonecos: o pai Joo e a Saborosa. Tudo feito para agradar e divertir os presentes. A brincadeira acompanhada de grupo musical - tambor, gaita, violo, pandeiro, sarilho, chocalho. Junto acompanham trs mascarados: o Mateus - dono do boi, o vaqueiro e o doutor que cura o boi quando fica doente, sempre na companhia de uma benzedeira, a pedido do Mateus.
O puxador tira os versos e os companheiros repetem:

dono da casa, d sua licena
Pra meu boi brincar na sua presena

O meu cavalinho, na porta do meio
Vai laar o boi, sem nenhum receio

O vaqueiro bota o boi pra fora
tarde da noite, ns vamos embora
Ratoeira
Os moos convidam as moas ou vice versa, at formar uma roda. Cada um escolhe a quem quer. Depois de formar a roda, com oito, dez ou mais pares, comeam a cantoria. O que comea canta uma estrofe e todos repetem at chegar no ltimo, sempre rodando da esquerda para a direita.
As quadrinhas so s vezes amorosas ou s vezes at provocantes:

Se o mar fosse de leite
Mas de gua salgada
Mandava fazer um queijo
Pra te dar uma talhada

Pra me dar uma talhada
No precisa ser do mar
Dai-me ento o teu corpinho
Que ns dois estamos a par

Botei cravo na janela
Para o meu amor cheirar
Meu amor foi to ingrato
Deixou o cravo secar

Deixou o cravo secar
L se foi o seu perfume
O cheiro quando demais
Provoca grande cime
Quermesse de Garopaba
No feriado de Corpus Christi realizada a Quermesse de Garopaba promovida pela comunidade local em parceria com igreja So Joaquim de Garopaba. A festa acontece na praa gov. Ivo Silveira e resgata tradies culturais, alm de shows regionais e nacionais. Barracas com quitutes da terra e a gastronomia litornea j vale pena...
Engenhos
A mani-oca A casa de Mani de onde vem o alimento como os Mbyas guarani denominavam a raiz da qual extraiam o Biju O Po Sagrado.
Os colonizadores rebatizaram em belo e bom portugus de Mandioca. A falta do trigo farto nas terras frias do hemisfrio norte, obrigou os aorianos a desenvolver tecnologia para transformar a massa da mandioca em farinha. Usaram os princpios dos moinhos de vento que construam no arquiplago para beneficiar a raiz e dela extrair a base da alimentao do litoral. A Farinha de Mandioca representa at hoje a transio dos povos primitivos e os recm chegados ao Novo Mundo alm mar. Em Garopaba a temporada de pesca da Tainha coincide com a tradio da farinhada entre maio e julho sempre no incio do inverno.
Cestaria
A tcnica de tramar fibras vegetais j fazia parte da rotina dos povos primitivos. Em Garopaba a cestaria muito usada, principalmente nos engenhos de farinha a sua utilizao fundamental. Seja para transporte dos produtos da terra como na prensa usado o Tipiti trama guarani, para extrair o excesso de gua da massa da mandioca, antes de ir ao forno para secar e ser transformada em farinha. Na pesca o balaio e o pu foram usados em grande escala, hoje substitudos por caixas plsticas.
Rendas
A renda de bilro surgiu no sculo XV, na Itlia. Anos depois, a arte do rendado chegou Frana invadindo a Corte do Rei Lus XIV e os centros produtores de Portugal. Com a colonizao portuguesa, esta arte chegou ao Brasil. Hoje, devido forte presena aoriana na costa de Santa Catarina esta tcnica permanece viva at hoje em Garopaba. As mulheres que "trocam bilros" ou seja: batem os pauzinhos ensinam as filhas a fazer uma trana de 4 pernas - tcnica bsica da renda, aos poucos, as meninas vo desenvolvendo os pontos mais difceis at dominarem a tcnica. Algumas famlias mantm em segredo os modelos de pontos atravs de geraes. Uma classificao completa dos pontos existentes quase impossvel - tamanha a variedade. Durante a confeco as mulheres cantam rimas que ajudam no ritmo dos trabalhos, exemplo a famosa cano que diz: Ole mulher rendeira Ol mulher rend Tu me ensina a fazer renda Que eu te ensino a namorar... Mulher que sabe fazer renda No precisa cozinhar...
O Bordado tradicional de Castelo Branco, designado em outros tempos por Bordado a Frouxo, caracteriza-se por desenho muito prprio, facilmente identificvel pelos motivos.
Outra tcnica o Crivo. A sua origem data do incio do sc. XVII onde j se encontrava consideravelmente difundido. Foi a partir da identificao de elementos decorativos e da composio esttica e cromtica que ficou confirmado sua prtica. Na criao deste bordado utiliza-se o fio de seda natural, geralmente em desenhos coloridos de grande harmonia, cores fortes sobre panos de linho cru unidos pelo Ponto de Luva. Tecnicamente caracteriza-se pela utilizao do Ponto Largo ou Frouxo, que actualmente designado por Ponto de Castelo Branco. As mulheres mantm ainda esta tradio de bordar em grupo, quando aproveitam para colocarem a conversa em dia.
Pesca Artesanal
Garopaba guarda no Centro Histrico a sede da Colnia Z12, assim como os Ranchos centenrios com suas canoas de um pau s e as tradicionais baleeiras, embarcaes resistentes e estveis construdas em tbuas escamadas.
De todas as safras da pescaria a chegada das Tainhas a que mais ascende o mpeto dos pescadores da costa. O tradicional arrasto que mobiliza moradores e turistas intercalado pelos tarrafeadores de planto, nos meses de maio a julho.
Hoje o surf e a pesca artesanal compartilham de regras de convvio, tem espao a todos...
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