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O Tempo não para

28/04/2012, às 12:54:41 - por Paulo Botafogo - Fonte:
Fonte: Foto: PauloRicardo

O MUNDO CURTE o futebol porque ele é como a vida. Momento. Traz as emoções todas, às vezes mudando muito rápido. Parece mesmo a vida. Um sobe desce. Na vida é preciso saber viver, diz o poeta. Fazer como o gesto de Cristiano Ronaldo na casa do adversário: calma, calma, que as coisas podem mudar. Há muito sadismo no futebol, assim como na vida. A imensa torcida do Flamengo acostumou-se a ver seu clube famoso, badalado, protegido... E quando qualquer adversário reclamava de acontecimentos “polêmicos” quando não se quer dizer muito suspeitos, zoava, curtia, gargalhava diante da impotência do adversário garfado. Vi cenas inacreditáveis numa final de campeonato carioca, com o Botafogo tendo um gol no último minuto anulado e o jogador expulso. O Fla acabou ganhando nos pênaltis, para revolta dos outros jogadores que choraram no vestiário. Pronto. As criativas torcidas imediatamente inventaram o “chororô”. O vento mudou. Numas cenas de comédia dramática o Fla viu no telão o clube ser classificado e um minuto depois, desclassificado, por causa da vitória do Emelec. Coisa triste. Os jogadores pulando de alegria e um minuto depois, chocados, aos prantos. Imediatamente lembrei-me do “chororô” e pensei “nada como um dia depois do outro”, sábio provérbio. O Botafogo está invicto no ano e o Fla caiu. Chora, Urubu.

DO ARQUIVO DO CÉREBRO brotam muitas coisas, vividas e sonhadas. O encontro com Raul Seixas. Eu era o fotógrafo da Revista Rock, no Rio de Janeiro e adorava esse trabalho. Podia ir aos shows que gostava e fotografar, depois conhecer meus ídolos. Ou ao contrário. Cheguei à gravadora Polygram (atual Universal) na Barra da Tijuca, numa tarde azul. Já conhecia o porteiro, fui entrando com meu fusca verde. Ele era um valente, porque estava velhinho, todo estranho, tinha participado de várias guerras, acho que até da guerra do Paraguai. Fui entrando e subindo as escadas até encontrar o produtor me conduziu a uma sala e disse para esperar um pouquinho. Pensei que era “um pouquinho” de brasileiro, mas logo a porta se abriu e ele entrou sozinho, sorridente. Fui caminhando e estendi a mão dizendo “muito prazer em te conhecer, além do profissional, sou teu fã”. Ele sorriu e me abraçou. Olhou-me nos olhos e viu no meu casaco um botton de Elvis. –Pô, cara, cê também curte o rei... –Claro, falei. Se não for Elvis, vai ser quem? Pronto. Amigos para sempre. O artista que tinham me avisado que era difícil para fotografar, perguntou o que eu queria que ele fizesse. Sugeri fotos posadas, uns lances bem rock and roll, e lhe disse que havia pensado nas fotos preto e branco. Ele adorou. –Tenho uma idéia, falou. Vou declamando e você clica aí. –Shakespeare, perguntei rindo. – Legal, isso mesmo, ele disse muito bem humorado. Primeiro vamos fazer com o casaco de couro. –Ótimo, vamos lá. E partimos para nossa sessão de fotos. Para um roqueiro como eu, que conhecia todos os seus discos, foi uma viagem vê-lo declamando Shakespeare como ele citava em sua música, me dando chances de momentos maravilhosos. Foi rápido e foi pouco/muito. Um filme tri-x de 24 poses, um dos melhores trabalhos de minha vida.

OUTRAS MEMÓRIAS BROTAM e penso no Paul McCartney em Floripa. Escrevo antes do show. A entrada está guardada em casa, protegida como a jóia que ela é. O encontro com Paul foi diferente, eu na fila do gargarejo e ele no gigantesco palco no estádio Beira-Rio em Porto Alegre. Claro que levei uma câmera fotográfica pequena, emprestada por uma amiga. E registrei a mágica do encontro com uma influência que começou avassaladora na adolescência. Primeiro Elvis, depois os Beatles, e depois o filme Woodstock me transformaram num rocker. Quando assisti Woodstock pela primeira vez em São Paulo, estava de terno e gravata, era um executivo. Era. Na saída, já sem a gravata, era outra pessoa. Era eu.

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